terça-feira, maio 31, 2011

Pai pra toda Obra!

Acredito que nossa pátria tem a tendência e está no fluxo da evolução. Em alguns aspectos vai rápido e em outros caminha lentamente como se estivesse ainda presa as rendas da sinhás do período colonial. Cabeças limitadas, fechadas ao direito alheio de ser e exercer seu Eu pleno em direitos e deveres, sem medo ou preconceito. Medo de ser? De assumir? De virar a dinâmica a seu favor? Tudo torna-se mais fácil, por ser natural ao seu Eu, aceitar a vida e dentre diversas citações que poderia colocar aqui, fica sempre uma martelando: "Se esconder é uma forma de fomentar o preconceito". E é! 

A nossa sociedade logo vai encarar a realidade e dar um basta no pensamento estúpido, pobre e limitado de "bolsonaros", radicais religiosos, "pit-boys" e homofóbicos de plantão que, apesar de nunca deixarem de existir, ficarão limitados a sua ignorância nativa.A pobreza de espírito coletivo de nossa sociedade, que quer(?) progredir em diversidade e maturidade, ainda é dominante e puritanista. Parte deste mal é reflexo da educação recebida, desde sempre, fraca e desmotivada, unilateral.

"A imaginação, o sentimento, o novo, o imprevisto que surge do espírito desenvolvido é proibido para eles, cabeças fechadas, cérebros obtusos, eternamente negados a luz." Camille Claudel


Laurent Ghilain e Peter Meurrens, pais pra toda obra!
A tendência social será de aceitação, inclusão, mas, e o que me deixa perplexo ainda, não será pelas vias da educação, formação ou na abertura de nossa capacidade cognitiva social. Será  pela submissão "colonial" e intelectual(?) do povo que vai olhar para o resto do mundo (eixo Eua-Europa) rico - de bolsas, roupas, perfumes, eletrônicos, marcas e modelos - e achar que devemos copiá-los para ser "primeiro mundo" (definição pueril ultimamente). Pelo menos essa absorção conceitual e estilo de vida é benéfica em sentido mais amplo.

Então vamos dar vazão destes "padrões evolutivos" do Império para que, na Colonia, toda a sociedade, ou a maioria dela, venha a conhecê-los e comprar seu ideal humanista. Por exemplo: na Holanda, no dia das crianças, no horário nobre da TV, pode acontecer de um filho de dois pais Gays cantar sobre seu orgulho de tê-los! Quem sabe um dia a gente chega neste nível!


Bem vindo mundo ao novo "novo-mundo"! Que desembarquem das caravalelas o conhecimento e a tolerância comprada no exterior para que possamos - todos - saber e exercer o Eu pleno de nós mesmos e não fomentar mais preconceito.

Marcelo [Ciello] Poloni

* Homenagem aos evoluídos: Luciano Guimarães, Tony Goes, Dino Costa, Douglas Gamma e Rafa Zveiter que fazem de seus blogs referências convergentes de opiniões e liberdades necessárias a evolução pelo conhecimento. Parabéns! Muito mais que recomendados, necessários!

* [AQUI] tem mais um exemplo para ser reproduzido e publicado nestas minhas saudades. Yes baby! Love! Love and Love!

* NOTA: texto editado e re-publicado de forma a uma melhor assertividade de seu conteúdo.

domingo, maio 29, 2011

Por um tempo Teu

Ele chegava sempre com sua vida simples, sem recursos, com fome, não daquela lasagna do almoço, mas de arte, cultura e vida, que poderia eu oferecer naquele presente tempo passado, através de algumas longas horas de tv, música, livros, revistas e internet. Era a troca, o novo, o antigo e o presente, de uma vida pulsante em cada um de nós, desconectados de nossas duras realidades e sofrimentos e interligados ao querer bem imaterial. A crítica e o sarcasmo, bem como a alegria de viver, fantasias e carinhos da amizade, eram cintilantes em seus olhos negros.

Era um protetor das malediscências daqueles que não entendiam meu cotidiano de poesia ingênua, preso eu que estava a uma vida inexistente fora dos muros impostos por uma não aceitação ou libertação. Sabia quem eu era muito mais que minha própria identidade pessoal poderia revelar. Nunca disse, ou colocou em xeque, minha personalidade que, àquela época, começa a se soltar  e encontrar seu verdadeiro caminho.

Era a luz negra, presente e invisível, de um caminho que eu deveria percorrer - e sabia que eu precisava urgentemente fazê-lo como se estivesse sozinho - para conquistar, com erros e acertos, aventuras e devaneios, a vida por inteiro, como um rio que busca o mar de descobertas infinitas no desaguar de suas esperanças. O rio de solidão com afluentes crises de tristeza encontrava-se, enfim, com a vida ocêanica de possibilidades.

Por um tempo teu, neste domingo, como há muitos anos, no aconchego maternal, esperava-o para o almoço. Ele não veio. Não ouvi sua voz. Não senti seu calor. Sua presença física ficou pelo tempo de memórias. Virá apenas pelos pensamentos meus, deitados em letras, palavras e sentimentos, neste canto que encontro para manifestar sua presença que ainda me protege, mesmo de longe noo distante eterno espaço de estrelas onde figura soberano aos meus olhos com seu eterno brilho de ébano. 

Do passado não traduzido em verbos conjugados, expelidos de minha boca, presos que ficaram ao coração, em timidez estúpida e medo, e pelo presente de ser quem sou, derramo-me hoje, e para sempre, sentimentos em verdades a quem valha-me por essência. É necessário saber amar para se sentir amado e nunca deixar para a úlitma hora dizer o que se sente correndo o risco de chegar atrasado ao encontro da vida. Eu sinto, eu digo e enfrentarei desafios tão grandes como a verdade de ser "eu" mesmo.

 Que seja pelo tempo e não por um tempo apenas...


Marcelo [Ciello] Poloni

* em mémoria de L.A.P.P, um amigo que ocupa pelo eterno e infinito espaço entre o coração e minha alma.

** ** Reflections of a Skyline: Curta filmado sobre um telhado em Londres durante um único dia. Parte do filme "Crave" de Sarah Kane Uma escritora muito talentosa, mas que não conseguiu que o seu trabalho fosse apreciado por muitos até que fosse tarde demais. Ela cometeu suicídio aos 28 anos enforcando-se em um banheiro no London's King's College Hospital. Direcão : Michael Tamman & Richard Jakes com Christopher Dunlop and Fiona Pearce.

quinta-feira, maio 26, 2011

Carta Esculpida de Arte


Fui ao teu encontro estrela cadente do meu céu de tantas possibilidades. Busquei por teu corpo e alma em cada canto desta selva - fonte de tantas outras perdições neste tempo árido de sentimentos puros - pois sabia que abrigavas a chama de um coração verdadeiro, bruto, ilimitado e complexo.

Vi, por tuas mãos pequenas, delicadas e dilaceradas no ofício que a conduziste do amor, pelos caminhos da paixão, como presa fácil, às grades da loucura, realizações materiais que, mesmo estáticas neste tempo que passou, deram-me impressões fluídas de teus desejos. 

Li teus apelos desesperados àquele que te prometia cumplicidade duradoura, que nunca cumpriria de fato, e me comovi com cada gota desta tinta que corroeu tua alma, aprisionando teus sentidos. Senti tua presença naquele átimo de vida em forma de papel, letras e ruídos de saudade.  

Fiz deste momento de observação de tua vida em arte, um encontro sublime de fruição contemplativa. Chorei por ti. Chorei por mim. Chorei por nós. Naquela tarde de domingo éramos únicos, partes entrelaçadas de um mundo perfeito, agarrados a nossa mais pura verdade, embriagados de carinho e esperança.

Descobri, naquele dia, um sentimento único por ti em teus olhos perdidos no infinito, que não ficaram tão conhecidos, pois, injustamente, mantiveram-se à sombra de teu mestre, razão de teus sentimentos, devoção e destruição. 

Saí do teu mundo, naquele átimo de meu tempo, conhecendo a fundo a tua essência de vida e de arte, traduzida em metal, mármore, gesso e sentimentos espalhados por cartas esculpidas de paixão, em tua loucura. 

Entrei hoje pelo presente das minhas memórias à lembrar de ti e daquela primeira grande exposição de arte - da tua arte, Camille Claudel! - que definitivamente foi sensível ao início da jornada de sonhos e verdades ao coração.

Marcelo [Ciello] Poloni

* relato de um tempo menino, descobridor de artistas e sentimentos, lá em 1997  e da exposição Camille Claudel, projeto Pinacoteca no Ibirapuera.

* para saber e ver mais: [AQUI]
* ver, ouvir e sentir: [AQUI]
* Cartas de amor em arte: [AQUI]
* A artista que amou demais: [AQUI]
* Trailer oficial do filme Camille Claudel, 1989: [AQUI]
* Sessão pipoca, um encontro perfeito entre Adjani e Camille... uma cena, um fragmento e o encontro com a sensação de viver a paixão em arte:



terça-feira, maio 24, 2011

Toca Vitrola!

Um "cadinho" de música para movimentar o dia. Descubro a cada instante um motivo para me sentir especial e refletir o quanto valeu a pena fazer deste blog uma continuação de pensamentos e vontades antes restritos ao mundo mágico de um pequeno infante sonhador que hoje já está bem "grandinho".




Feel the risin' hope and the sky will open
Take my hand, don't stall, have faith
Though the road is long, there are golden gardens
At the sweet end of your trail

Marcelo [Ciello] Poloni

segunda-feira, maio 23, 2011

Olhar menino de sonhos eternos



Hoje ele alimenta seu corpo, proteje sua alma. Criou mecanismos para não se entregar aos sentimentos como um ingênuo sonhador que foi um dia. Recolhe-se agora, e temporariamente, para recuperar suas forças, no cantinho familiar que sempre o abrigou na infância e adolescência. Àquela época onde vivia o dilema de não entender os porquês da vida e de ser fechado em um círculo de proteção familiar exagerado. Duas mães e avós maternos que recolhiam o "pequeno príncipe" à uma ingenuidade quase infantil aos 14 anos.

Sem uma figura paterna e sem um rumo certo, orientação ou conselhos amigos, colocou-se cara a cara com todas as adversidades sem saber se defender. Passou constrangimentos por não ter a esperteza que se esperava de sua época. Descobriu a vida sozinho e assim cresceu sem ter que o compreende-se. Percebeu tarde demais que uma amigo de infância o protegia das maledicências e não pode agradecer-lhe a altura de sua bondade.

Com o tempo descobriu que seu desejo tinha feições masculinas e não soube evoluir em tempo de aproveitar sua adolescência, marcada antes pela paixão meiga por uma colega de escola. Platônico em coração apenas, nunca foi além, sua vida fechada o limitava em lidar e saber como relacionar-se além dos sonhos. Fechado em seu mundo particular de anseios pelo que existia além dos muros do seu lar maternal ficou por muito tempo a estudar a vida pela janela de sua imaginação.

Demorou a encontrar seu caminho. Sua vida nunca foi fácil e tampouco tinha recursos para libertar-se. Suas opções limitavam-se ao que era imposto pelos recursos familiares. Fez tudo o que os laços familiares quiseram que tivesse feito e fez com maestria. Estudou muito ser ter um motivo. Foi aluno exemplar mas não era a sua vida. Sobrevivia de esperanças.

O tempo é cruel e sem saber como se aventurar, sem recursos e sem expectativas, deixou-se novamete levar pelo apelo familiar e estudou um pouco mais para conseguir aquele emprego que no passado era glorioso e hoje é como um outro qualquer. Venceu! e a partir daí, mesmo diante dos poucos recursos que dispunha, começou sequenciais transformações. Tomou as rédeas de seu destino e seguiu em rompantes frenéticos de reconquista do tempo perdido.

Depois de tantos anos faz hoje uma avaliação efetiva daquilo que lhe valeu a pena e percebe que será eternamente um coração menino cheio de sonhos mas que, no presente, faz da realidade uma realização gradativa concreta de suas conquistas a cada novo passo que toma em direção ao seu bem estar, em busca pelo que considera ser um encontro com a sua vida, ainda em evolução constante. Seu mundo imaginário de outrora agora forma-se diante de seus olhos curiosos.

Marcelo [Ciello] Poloni.

quinta-feira, maio 19, 2011

Kananciuê, um pensamento bom!


"Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores. Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores. Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores. Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores. Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho. Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho. Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho. Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho. Estou podando meu jardim. Estou cuidando bem de mim." (Vander Lee) (*)


Hoje começa mais uma etapa. Da metamorfose da lagarta às transformações da Fênix:
uma volta ao aconchego materno para reestabelecer aquilo que por este tempo não foi possível e que agora se concretizará. Vencer etapas. Seguir, mesmo que vagarosamente, sem nunca parar e ter uma certeza: por mais externas que sejam nossas mudanças sempre será de evidente grandeza aquilo que internamente conquistamos ultrapassando barreiras imaginárias e sensíveis a nossa alma.
De uma vida em poesia às palavras concretas da prosa, dando cor às sensações expressas no decorrer do tempo, neste espaço que ocupamos, chamado vida, sempre seguir em frente tornando como princípio básico aquilo que se manifesta em mim como Deus: "Um pensamento bom". E que seja, enquanto eterno, criança, adulto ou infinito. Somos todos em Um, em cada instante uno, e podemos sempre ser mais, no limite de nossa essência.

Vou logo,
Seguindo pelo destino,
entre flores e espinhos,
caminho para saber que vivo,
intensamente cada sol poente,
em nascente dia crescente,
se levantará para brilhar,
pelo infinito. Sempre
Volto logo.

Marcelo [Ciello] Poloni

(*) Presente recebido de [Marcelo Dalcom], meu amigo soteropolitano, que me musicou o dia e recebe meu mimo neste meu cantinho especial, nesta terra de gigantes carinhos e afeições".

ps.: muito bom saber que o Eterno Garoto SAM já havia falado de Kananciuê! Devidamente "interligado" no texto acima!

quarta-feira, maio 18, 2011

O melhor está por vir

Tem dias que você acorda e acontece de um tudo de bom que amplia ainda mais a consciência daquilo que realmente somos e que podemos ser. Aprendi e aprendo continuamente que não é preciso ser perfeccionista para ser melhor. Ouvi de uma pessoa incrível que o 'ótimo" é, muitas vezes, inimigo do "bom" e que tentar ser "mais" talvez resulte em ser "menos". Este pensamento vai diretamente de encontro ao que Siddarta (Buda) aprendeu: conhecer e exercer o equilíbrio. Em um violão não queira esticar demais a corda, ela arrebenta, mas não queira deixá-la frouxa, pois não toca!

E recebi elogios pessoais que me deixaram deveras enebriado de alegria pelo carinho que representaram em situações distintas e, sim, serei egocêntrico o suficiente para escrevê-las aqui, pois, eu mereço (rs): "Ciello, você é uma pessoa complexa, cheio de camadas, tons e nuances que são incríveis de serem descobertos". Preciso dizer que: primeiro me senti um bolo, depois uma pintura e, por fim, acho que é bom não se óbvio!)

A segunda é específica e me deixou arrepiado: "A arte fotográfica não é estagnada em nada na sua essencia artística e sempre aponta diferentes formas de se encarar o que de início chamaríamos de estático. Um lindo exemplo disso é a sua foto sob os anjos da catedral de Brasília. Lá se vê os anjos de Niemeyer ao fundo e vc como figura de frente. O seu foco inclui o Ciello junto com os anjos. Por um momento o "céu" do Niemeyer expandiu-se e tornou-se o SEU céu! Isso me fascina!!! É muito mais do que "roubar uma alma" ....É expandí-la para além! Quer vc queira ou não, vc é um artista (um criador) e os vitrais de Brasília são testemunhos disso!" . Eu nem consegui responder dignamente ao elogio e por isso mesmo resolvi colocá-ls aqui como agradecimento e claro, de novo, porque eu mereço! Afinal eu faço a minha parte.


Para completar o dia, que não é do meu aniversário (será dia 20 de junho), apesar de tantos elogios, descobri por acaso este cantor - Danny Gokey - e suas músicas que estão tocando no meu Ipod. Música ótima, ritmo e cantor gostoso para encerrar este texto de hoje que eu precisava soltar das minhas alegrias cotidianas e compartilhar momentos de felicidade. Obrigado aos meus queridos acima mencionados que transformaram em cores vibrantes uma terça-feira cinzenta na cidade de São Paulo!



I've got sunsets to witness
dreams to dance with

beaches to walk on

and lovers to kiss
there's a whole lot of world out there
that I can't wait to see
My best days are ahead of me


Marcelo, Ciello Poloni

terça-feira, maio 17, 2011

Aceitarei aquele convite!

Sem muito a acrescentar, basta ver e ouvir. Já de malas prontas pra Escócia, afinal um convite divino veio bem a calhar para este final de ano, e agora com este moço ai cantando para mim, a quarta-feira será de cantoria aqui em casa, na rua, no trabalho e em qualquer lugar com ele.... Perguntinha: Não lembra o Justin Timberlake em versão aditivada? 


Ciello Poloni

O Colecionador de Memórias Visuais





Recebi um presente ímpar neste final de semana: uma foto emoldurada, uma visão magnífica do Arco do Triunfo, tirada da janela do quarto de hotel que hospedou o meu querido Divino fotógrafo Reginaldo, em sua recente viagem ao velho continente. Além deste carinho especial que temos, nossas conversas rendem horas e, nestas trocas, comentei que pensava em escrever sobre o assunto "fotografia" desde um tempo atrás mas, faltava-me o gancho. 

Para além das Cores da Crise de Meia Idade, o José Antonio, que, entre uma mensagem e outra, obteve como resposta minha: "A fotografia é um hobbie que eu adoro...meio que colecionador de momentos da vida", promoveu também a vontade de escrever sobre este assunto que representa uma grande verdade para aqueles que tem a fotografia como entretenimento ou profissão.

Materialização de um instante único. Momento captado que nunca será igual ou se reproduzirá novamente nas mesmas circunstâncias daquele que já passou.  Um momento de vida. Uma recordação. Diversas definições, todas corretas, em ângulos diferentes quando colocadas lado a lado a sensação daquele momento de contemplação que promoveu sua existência, para lembranças futuras de um passado visual.

Os índios achavam que o espelho roubaría-lhes a alma. A fotografia cristaliza o momento do que é efêmero no espelho e, somente quem a tirou ou foi fotografado sabe exatamente o que sua alma queria expressar naquele instante único. Sentimentos bons ou não, são sentimentos imortalizados em imagens.

Tempos atrás eu era muito mais ávido em guardar em memória fotográfica estas sensações. Inúmeras coleções, inúmeras fotos e um exaustivo inventário visual. Tal qual Arthur Bispo do Rosário o fazia para agradar um "não sei quem", talvez ao ego, ou para mostrar aos outros um cadinho do meu mundo de visões captadas de um instante qualquer, muito mais numa tentativa de expandir horizontes do que de soberba por ter visto "in loco" o que foi registrado. 


Percebo nitidamente que gosto muito de contar experiências em histórias através de imagens, trazendo novas visões do mundo, o meu em particular, para as pessoas. Hoje encontrei, acredito eu, um equilíbrio para não deixar a vida passar por detrás de uma maquina fotográfica, sabendo compartilhar ambas as experiências e sentir na pele cada instante antes de traduzí-lo em estáticos momentos visuais colecionáveis pela vida.


Daquilo que já passou nestas minhas experiências visuais os resultados foram geralmente reflexos dos meus estados de espírito, tal qual estas crônicas o são, e normalmente traduzem bem parte de minha presença no mundo enquanto observador e entusiasta da cor, da forma, do movimento e em síntese, da arte e beleza que será sempre única para cada olhar.

Ciello Poloni 

e se quiserem observar algumas fotos das milhares que já tirei: [CLIQUE AQUI]

segunda-feira, maio 16, 2011

O carinho das pétalas vermelhas

Ei! Escolha uma música triste e torne-a melhor.
 Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração e então você pode começar a melhorá-la. 
Não tenha medo, você foi feito para sair e conquistá-la. 
No minuto que você senti-la na sua pele, você começará a melhorar. 
E sempre que você sentir dor, contenha-se, não carregue o mundo nos ombros.
Você bem sabe que é tolice fingir que está numa boa tornando seu mundo um pouco mais frio.
Ei! não me decepcione. 
Você encontrou-a, agora vá e conquiste-a. 
Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração e então você pode começar a fazê-la melhor. 
Então liberte-se e permita-se. 
Comece! 
Você está esperando por alguém para contracenar e não sabe que é somente você? 
Você consegue! 
O movimento que você precisa está nas suas mãos.


Marcelo Poloni

* adaptação livre de Hey Jude. 

Sreenshots retirados de All toghether Now, documentário e bastidores de L.O.V.E. cuja poesia musical e visual merece ser vista e revista muitas vezes, especialmente ao lado de quem se tem um carinho especial.

sexta-feira, maio 13, 2011

Copa Europa de Canções

Música é um assunto muito pertinente nos cantos que visito por esta "blogosfera". Gostos são variados, sempre, e expressam um "muito" de nossa personalidade em um misto de sensações diferentes pelas canções, melodias, letras e acordes. Não sou perito e tampouco faço uma análise fria de qualidades sonoras para tecer qualquer comentário. Se ouço e gosto, vou ouvir de novo. Se ouço e não gosto de primeira, existem ainda possibilidades e outras chances e não é raro isso acontecer e me apaixonar numa segunda ou terceira audição.


Um dia, trocando de canal, lá pelos anos 90, em um sábado a tarde, encontrei um programa na RTP (Rádio e TV de Portugal). Parei para ver o "globo de ouro" ou "ídolos" da Europa toda em uma única apresentação: Eurovision Song Contest. Descobri naquele momento um canal de novidades sonoras desde as bacanas e descoladas até as a mais toscas e engraçadas. Do étnico ao pop, uma gama enorme de estilos tão variados que despertam a curiosidade mesmo que seja apenas para rir. Existe sim um ar cafona mas é intrigante como não consegui daquele momento em diante deixar de ver o show. Todo mês de maio é a mesma coisa: um país ganha e é sede da premiação no ano seguinte.
Talvez meu nascimento tenha sido embalado por uma canção que já ganhou tal concurso: Waterloo do ABBA, levando a Suécia ao topo da fama mundial inclusive. Todo ano acontecem reflexos do Eurovision pelo mundo: 2009 promoveu uma música turca, não vencedora, às paradas no Japão. Ano passado a deliciosa pop fofa "Satellite" da Lena levou o show para Alemanha este ano. Em Dusseldorf se apresentaram terça e quinta 38 canções de onde foram escolhidas por voto popular via telefone (de todos os países participantes) + juri representativo de cada país, as 20 melhores (10 em cada semi-final). 

No sábado a final será com estas 20 "escolhidas" + 5 dos países que fundaram o concurso: Reino Unido, Espanha, França, Itália e Alemanha concorrem com Finlandia, Bosnia & Herzegovina, DinamarcaLituania, Hungria, Irlanda, SuéciaEstôniaGrécia, Rússia, SuiçaMoldáviaRomeniaAustriaAzerbaijão, Eslovênia, Islândia, Ucrânia, Sérvia e Geórgia

Sim, existem alguns regionalismos e votações mais por países "amigos" do que pela qualidade musical, contudo, no final das contas e telefonemas, acaba prevalecendo a escolha popular geral de todo um continente em busca de "sua identidade" sonora numa festa de diversos ritmos em apresentações bacanas e outras nem tanto afinal, ali é a mistura de diversos gostos, de diversos povos, culturas e sentimentos. É a Copa Europa das Canções.
Tenho minhas apostas e às vezes quebro a cara mas, vai lá: França, Hungria e Grécia ficam no meu Top 3. A França já apresentei aqui, é o Sognu de Amaury Vassili. Hungria apresenta uma dance music chiclete num misto de Celine Dion com Madonna e a Grécia tem a ousadia de colocar um Rap com canto lírico, no mínimo inusitado. Adoro acompanhar esse lado "exótico" da Europa já que estamos acostumados a sê-lo por natureza enquanto nação brasileira. 

Se você quiser assistir nos canais da tv paga: RTPi e TVe apresentam o show a partir das 16h de sábado. Na internet http://www.eurovision.tv/esctv/future?program=24953 e sites de Tvs européias online como a TV da Romênia http://www.tvr.ro/live_tvri.php (e sendo uma língua latina, não se assuste em de repente começar a entender o "romeno" dos apresentadores!). Ah, o show é a segunda maior audiência anual da Europa e não há playback.

Marcelo Poloni

blue2

e se você chegou até aqui... olha ai a boyband - Blue - que representa o Reino Unido com a musica "I can". Inspirador?

quarta-feira, maio 11, 2011

O caminho das pedras brancas


 O encanto que alguns lugares promovem e estimulam nosso desejo de conhecê-los pessoalmente pode ser adquirido de diversas maneiras: jornais, revistas, filmes e livros, entre outros.  Entretanto, como considerar uma viagem para uma cidade onde existe um desgoto muito grande pelo poder e corrupção que emana dos representantes que nós mesmos escolhemos por voto popular? Sim, fui a Brasília. Aceitei o convite, já feito inúmeras vezes, do meu amigo Chris.

Depois de muita relutância segui adiante pelo caminho daqueles muitos que lá chegaram quando da sua construção e fundação por JK. Sua história, e suas lendas, já foram até retratadas em exposições e desfiles de escolas de samba mas, o grande valor que busquei nesta visita, desprovido do asco típico ligado à política, foi o encontro com a forma e a arquitetura de uma cidade projetada para ser a capital nacional.

Descobri que o reflexo dos raios solares sobre a cidade e, principalmente, sobre as grandes obras arquitetônicas de Niemayer, no plano urbanístico de Lúcio Costa, provome um paradoxo muito grande de sensações.

Existe uma beleza geométrica de ângulos, dos mais variados, entre sinuosidades orgânicas realizadas com concreto pintado de branco. O sol contribui muito para deixar os olhos vibrantes nesta mistura entre as "grandes pedras brancas" e o céu, de um azul cintilante, ora bordado de nuvens claras.

Ao mesmo tempo, a aridez de um chão desprovido de verde traz hoje, muito além daqueles sentimentos futuristas-funcionais das décadas de 1950 a 1970, um desconforto sensível ao corpo. (esta sensação está gritante no entorno da Biblioteca e do Museu Nacional). Sinto o mesmo ao caminhar pelo Memorial da América Latina em São Paulo. Talvez o clima prejudique ainda mais nesta questão.

O vazio, caracterizado pelo chão de concreto no entorno das edificações, pode ser justificado pela necessidade de espaço para a sua completa admiração, entendimento artístico e arquitetonico global.

A projeção da obra e sua magnitude no ambiente seria tolida por um conjunto natural e orgânico, não restrito a gramados, em sua concepção urbana? Acredito que não, vide o parque do Ibirapuera em São Paulo. Independente de problemas desta natureza, existe sim, um valor artístico imenso agregado a este conjunto único de formas espalhado pela capital do país.

Muito além da dança mágica entre as formas erguidas do chão e o céu, de azul intenso ou bordado de nuvens em formas diversas - existe um segundo ato no bailar da impressões visuais: o mosaico de cores, um caleidoscópio de luz, através dos vitrais e no interior de alguns lugares como a Catedral de Brasília e a Igreja de Dom Bosco.

A simplicidade do conjunto é recortada pela intensidade dos raios luminosos projetados em cores e brilhos espalhados pelo ambiente e projetados para a eternidade como símbolo do encontro do homem com uma força maior, o que a maioria chama de Deus, mas eu prefiro chamar de: "um pensamento bom" que me acompanha enquanto índole, caráter e simplicidade de sentimentos pelo próximo.

Há também que se considerar o que não seria obvio de acontecer e ver: encontrei minha tribo e não foi no Memorial dos Povos Indígenas mas num festival se sorrisos que viaja no campo da alegria com um furgão que parece saído de um filme sobre a era de aquário. E lá estava eu no festival de palhaços e palhaçadas do Sesc.

Vale contar também que eu costumo perseguir exposições de arte. Perdi a exposição sobre o Islã no Rio, deixei de vê-la em São Paulo mas encontrei o caminho do oriente no CCBB de Brasília.

Também tive a grata surpresa de encontrar a exposição sobre o centenário de Margareth Mee, enredo da escola de samba Beija-Flor, em 1994, com suas aquarelas sobre a flora brasileira cuja suavidade nas pinceladas é quase divina.

E para finalizar um jantar filosófico entre vinho e sincretismo religioso para a descoberta de novas possibilidades para quem assim as deseja com a intensidade de um momento único, tal qual um por-do-sol que não repetirá seu jeito de ser no dia seguinte.

Ainda voltarei por este caminho das pedras brancas...

Marcelo Poloni

* Itamaraty, em tupi, siginifica Pedra Branca.

* Existem outras tantas fotos mas fica inviável de colocá-las aqui. e por isso mesmo convido-os a visitar meu [ÁLBUM] no  picasa.

domingo, maio 01, 2011

Os dias vão pra nunca mais...

Existem coisas misteriosas que você jamais vai entender mesmo com sessões intermináveis com seu terapeuta. São Sentimentos em árvores que, ao bater de um vento forte, caem como folhas secas e repousam sobre seu jardim. Éden de emoções, o jardim de Marcelo Jeneci florece em múltiplas camadas de flores e cada qual com um perfume diferente.

Poderia tecer palavras e mais palavras, adjetivos e predicados, sujeitos a serem redundantes na minha total entrega ao seu carinho musical. Assim está bom para definir: Carinho musical.

Em agradecimento pelo show não deixei por menos e dediquei-lhe um carinho no facebook: "confesso-te: és um gênio de sentimentos musicais! sentimento do show de sábado!" e assim foi mais um dos "dias que vão pra nunca mais" - verso de uma de suas músicas e que eu particularmente me sinto completamente entregue.

Não poderia deixar jamais de citar a Laura Lavieri, que divide vocais com o Jeneci. Ela é de uma doçura e suavidade na voz que transforma qualquer melodia e letra em algo tão bonito e gostoso para se ouvir como se estivéssemos passeando numa tarde primaveril de domingo por um parque ou num campo. Ideal para curtir a dois numa viagem rumo a um por-do-sol infinito de sensações. A entrega de ambos a essa simbiose musical é perfeita no encontro de suas vozes. 

E como aqui são saudades, ficam alguns versos a ecoar nas veias, no coração e na alma....

Da Felicidade: Tem vez que as coisas pesam mais... Do que a gente acha que pode aguentar,...Nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar,...Você vai rir, sem perceber, Felicidade é só questão de ser...

Pra sonhar: O que era sonho se tornou realidade,...De pouco em pouco a gente foi erguendo nosso próprio trem,...Nossa jerusálem, nosso mundo, nosso carrossel,...vai e vem, vai e não pára nunca mais.

Por que nós?: Sempre tem gente pra chamar de nós....Sejam milhares, centenas ou dois. Ficam no tempo os torneios da voz...Não foi só ontem, é hoje e depois... São momentos lá dentro de nós... São outros ventos que vêm do pulmão... E ganham cores na altura da voz... 

Jardim do Éden: E eu... Pensando em você....Sonhando um lugar pra nós... Invento a verdade e muito mais....Xanadu, Shangri-lá, Jardim do Éden, Paraisópolis... 

Porque você não vem?

Marcelo Poloni

tem mais Jeneci [AQUI]! e também ouça aqui...  


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