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sexta-feira, abril 08, 2011

Famílias Rasgadas


Quando perdemos um pai, uma mãe, avós ou entes mais velhos entendemos que é o fluxo natural da vida e mesmo diante da dor da perda, com o tempo entendemos que era algo esperado e acalmamos nosso coração pelo tempo que passará.

Familias são o núcleo essencial de nossa vida. Tivemos, uma, invariavelmente. Papai, Mamãe e filhos ou algumas variações. Se a separações podem ser doloridas para um casal, refletido invariavelmente na prole, acredito que, na inversão da dinâmica da vida, a perda de um filho, ainda criança, ou mesmo já adulto, seja, talvez, uma das maiores crueldades da vida com os sentimentos dos pais.

Quando a inversão da dinâmica do fluxo da vida atinge fatalmente os filhos, e não aos pais, por uma causa que não seja natural ou acidental, a alegria perde-se para todo o sempre na memória que ficará em luto para todo o sempre.

Não há como minimizar a dor desta separação. 
Que aqui fique registrado meu luto solidário a todos vocês e se trouxer um pouco de alento:

Assim nasceram os anjos. Eternos.

Sei que não escrevi nada original e possivelmente muitos já o tenham feito, mas queria deixar registrado nas minhas crônicas este meu momento solidário e de profunda consternação diante desta tragédia.

Marcelo Poloni

ps.: Eu pouco soube lidar com a morte. Nunca quis ir a velórios de familiares. Sempre quis deixar registrado na memória lembranças da vida destes que se foram, até que um dia um "coração verde" contou-me a história de sua mãe e sua reação diante do fluxo da vida. Emocionado, comecei a rever a partir dali, minha postura diante desta dinâmica natural do fluxo da vida. Obrigado Sr. coração verde.



Agi-Tiê!

O final de semana chegando e uma maratona de eventos, shows e viagens a caminho. Oh Gosh! Eu que bem gosto de passar uma tarde "sussa" de domingo com amigo(s), sem fazer nada, tal qual camadas de lasagna repousando, uns sobre o(s) outro(s) no sofá, assistindo um filme, um show ou bastidores. Quando as emoções "casam" neste sentido, tudo pode ser perfeito e a intimidade leva à possibilidade de se emocionar sem medo, ou constrangimento, diante do(s) amigo(s) e eu, o faço com louvor! Da última foi um emocionante coreografia e cenografia do show LOVE do Circo de Soleil em Las Vegas com canções dos Beatles. Memorável é o mínimo a dizer. 

Mas este final de semana e os demais, tendem a ser o oposto. A linha de atividade, quase sísmica, que chega, entre eventos, shows e viagens segue o fluxo a partir desta sexta: Primos chegam de manhã -> Tiê à noite -> Cariocas em Sampa -> U2 e fila -> Jantar -> MAHLER Sinfonia nº 2 - Ressurreição -> Almoço com amigos -> Trabalhar/Malhar (é quase descanso!) -> Virada Cultural -> Trabalhar/Malhar -> Casa da Mãe (atividade sísmica!) -> Férias + Rio de Janeiro (atividade sísmica 2) -> Marcelo Jeneci -> Brasilia -> Trabalhar -> Evita -> "Mais Respeito que Sou Tua Mãe!"(como é bom conhecer a atriz da peça!) -> Paul Mcartney in Rio -> Férias 2 -> Aniversário! (37) -> Parada... ufa cansei!

Ai que eu nem contabilizei as atividades de rotina como cinema, visitar primos e receber amigo(s) paulistanos. Que venha logo o segundo semestre... com Julieta Venegas. Enquanto isso, quando não tiver nada pra fazer... farei uma lasagna... entre leituras, licores e pudins! Quem me acompanha?

Marcelo Poloni

ps.: Como eu amo o jeito fluido de escrever do Edu, cá estou eu meio que imitando-o em sua linha de tempo e atividades... Bjo pro C! e pro Mau também, para ser phino, educado e elegante!

sexta-feira, março 25, 2011

Fragmentos...

...de um carnaval passado.

E lá estava eu saindo daquela pista de dança, um último beijo perdido na porta e no caminho para a calçada. Quando olho à frente, lá estava ele novamente. Desde o primeiro encontro, seus olhos cativantes e sua fala carioca cheia de ginga já haviam marcado terreno. Um assobio ligeiro na madrugada para chamar-lhe a atenção. Parado, me esperou chegar junto em um beijo selado, profundo, marcante outra vez. Era o convite para ir naquele bar de fim de noite comer um pedaço de pizza no balcão. Não precisou muito e lá estávamos conversando sobre tudo entre beijos maliciosos. Aqueles lábios não paravam de chamar os meus e, seus olhos, em brilhante verde, faziam a sedução ser completa. Jogo gostoso de conquista cujos fragmentos ficaram registrados em um pedaço de guardanapo. Números da sorte? Números de um futuro caminho pelas ruas de Ipanema.

Marcelo Poloni

ps: a pizza no balcão é ótima! eu recomendo!

terça-feira, março 15, 2011

A vida como ela foi...


Histórias da folia carioca I

Sabe quando você vai caminhando com sua cerveja pelo meio da pista, Fernanda Porto Samba Assim Só Tinha que ser com Você, fazendo seu pé e corpo fluir naturalmente entre uns e outros e você dá de cara com um sujeito boa pinta, olhos doces esverdeados, barba por fazer, camisa pólo com um logo inglês? Sabe também que aquele momento te lembra outras bebidas, outros vinhos, outros carinhos e outros olhares? Você sabe que ele vale a pena, você olha como se não existisse mais ninguém naquela pista. Você fixa o olhar e seduz, conquista, toca e, lentamente, sem qualquer palavra, escorrega seus lábios junto aos dele. Pelos próximos seis minutos houve fôlego para prolongar aquele beijo bem dado, bem conquistado, bem saboreado, como se não houvessem outros na vida. Outros vieram na sequência e perduraram por toda a noite, entre outras coisas mais, e, no dia seguinte, um último de despedida. Para um reencontro a qualquer tempo, em qualquer lugar... na vida como ela foi...

Marcelo Poloni

domingo, março 13, 2011

Das Cinzas à Folia...

... novamente ela surge no horizonte deste ser que escreve aqui: a tal Fênix. Tal qual um cisne negro em seu lago, ela bailou soberana neste carnaval que passou, e tomou proporções inesperadas. Foi ao samba, foi a fantasia, foi a vida e foi ao infinito de possibilidades.

Aproveitou esperas intermináveis para desabafar e ouvir opiniões sobre si mesma. Refletiu sobre todo o momento que passava, e na sexta-feira pré-carnaval, como em um verdadeiro banho de descarrego, jogou na avenida sua alegria. Se entregou.

Soube comungar gostos pessoais por arte e fotografia com a emoção e muita, mas muita diversão, dentro e fora do eixo da folia. Soube sair de si e se encontrar em muitas situações: diurnas ou noturnas, ao som de mpb, de rock, de samba-rock e em outros braços, em outras bocas, em outros olhares. Soube quem é e o que quer, e mesmo que já soubesse, ampliou seus horizontes. Foi além.

Que venha 2011 e tudo que a fenix possa alcançar. Não será pouco. O espetáculo apenas começou.

Marcelo Poloni

sexta-feira, março 04, 2011

O Rio corre pro Mar...

Enfim, lá estava eu com minha prima. Guia básico de bolso, da estação Glória até a Central. Chegou o momento tão esperado depois de tantos anos por detrás de uma imagem de televisão. Saímos meio que desconfiados, campo novo a ser explorado. Tarde ensolarada, e muita gente indo e vindo com fantasias, bate-bolas e uma infinidade de vendedores ambulantes.

Começo a ficar cativado por um brilho que vinha de longe. Brilho de ouro fosco não tão reluzente como aquele que costumamos observar. Num susto muito grande, não espera estar diante do Abre-Alas da minha escolha de samba, assim tão de repente. Não me contive, lágrimas rolaram. As pernas tremiam por todo o trajeto. Maõs suavam frio. Enfim, o sonho tinha se materializado e foi captado em vídeo e diversas fotos, que guardo com o mairo carinho até hoje.

Estudei a fundo a Saga desta escrava guerreira, mineira, princesa de Daomé. E lá estava ele representado no carro Abre-Alas, O Palácio de Dâxome, ornamentado e referênciado com tótens e esculturas africas, antilopes, rinoscerontes e gazelas. Segui para outros carros, ávido para ver tudo, registrar tudo. Estava sim, eufórico. Vi o Mercado, a Feitiçaria, o Cortejo pelo mar, A Bahia dos nagôs, os tambores do Maranhão, a Casa das Minas. Enredo completo, Agotime mostrada desde sua vida de princesa no Daomé, sua escravidão, sua liberdade, até fundação de seu sua religiosidade em terras brasileiras. Uma aula de história não contada na escola.

Nesse passeio tive a companhia de uma simpática senhora carioca e portelense, Dona Marisa, que confessou nunca ter desfilado pela sua escola mas que era seu sonho, coisas da paixão. Encontrou-me emocionado vendo as alegorias pela primeira vez ao vivo e começamos a conversar. Não conhecia tão bem o enredo e prontamente esclareci o que cada alegoria significava dentro da Saga de Agotime. Muito simpática e receptiva deu-me os parabéns pela minha paixão, pela minha alegria e emoção. Coisas do coração.

Confesso que não foi fácil sair daquele universo paralelo de artes e ofícios, manufatura e indústria de carnaval. Queria registrar tudo, queria ver tudo. Pensamentos soltos naquela avenida e diante de tantas outras alegorias de carnaval que existem por por um ou dois momentos de desfile e que, 30 dias após o carnaval, são recicladas ou vendidas em partes e que nunca mais vão constituir aquele todo que ficou na minha imaginação.

Não acaba ali a emoção. Faltava ainda o desfile. Momento onde aqueles carros se transformariam novamente em efeitos, luzes e novas cores agregadas a arte já presente de forma estática, como num museu. O desfile é uma grande obra, uma epopéia barroca, um cortejo em catarse plena de diferentes mídias, de diferentes emanações da beleza natural de nossa cultura. Esqueça o bunda-lê-lê! Aqui vejo uma fusão entre fantasia e realidade, criação e fruição de todos os sentidos, de todas as cores, de todas as artes.

E assim desfilam pela minha vida, nestes últimos 30 e poucos anos, memórias que se renovam e se agregam a cada novo carnaval que chega e que passa, e a cada mundo novo descoberto pela visão particular que tenho desta fábrica de sonhos.

Ecos de um desfile...

"E se o Carnaval não fosse só o dia do esquecimento? Se ele fosse nossa memória? A repetição da fantasia que fez os descobridores, a de um dia entrar no Paraíso. E se o Carnaval fosse sobretudo a reinvenção permanente do Brasil para si e para os outros?" (Bete Milan, Os Bastidores do Carnaval, 1994)

Marcelo Poloni

ps: fica registrada aqui que minha visão lúdica das escolas de samba não pretende esconder um outro lado nada fantasioso que existe por detrás das cortinas do espetáculo. Não devemos esconder a sujeira. Devemos limpá-la. Hoje em dia nem tudo são flores, mas já se fizeram grandes avanços. Problemas, de qualquer forma, não as diminuem em importância como divulgadoras de nossa história, de nossa cultura, de nossa memória.

quinta-feira, março 03, 2011

Sonhos do Vice-Rei

Desde criança, lá pelo início dos anos 80, tempo que me lembro de fato, sentava na sala com minhas mães na época do carnaval para ver o concurso de fantasias do hotel Glória. Depois passavamos a noite assistindo os desfiles das escolas de samba. Eu apenas olhava e via muita cor, muito brilho, formas fantasiosas e, de fato, eu pouco entendia sobre aquilo que via, mas entre um cochilho e outro, vislumbrava aquele universo de sonhos a bailar na tv de 20".

Varios  ArtistasE assim seguiu-se o tempo. Para todo ano novo que chegava a expectativa daquele momento aumentava e com a temporada carnavalesca: reportangens, noticias, imagens de batidores e enfim o desfile pela televisão. Minha familia não tinha dinheiro para comprar um video-cassete para registrar aqueles momentos (isso só aconteceu em 1992!!!!!! ) e então era o único momento de contato com este universo criativo.

Varios  ArtistasEm 1983 eu senti uma emoção muito forte, aquela tal de Beija-Flor de Nilópolis ganhava o carnaval em homenagem as "A grande constelação das Estrelas Negras da Ribalta"!, pulei, joguei confete e serpentina e fazia de um momento isolado meu carnaval. Joãosinho Trinta era o carnavesco que minhas mães admiravam e que eu também passei a gostar muito e era da Beija-Flor! Nossa casamento perfeito de emoções.

Lá por 1986 eu ganhei um gravador de Natal! e com ele meu primeiro K7 com os sambas-enredo. Nossa, agora eu podeira ouvir antes e compreender o que era apresentado! Que evolução! Que felicidade! Descobri as Mágicas luzes da Ribalda da Beija-Flor, O mundo encantado das palavras de Carlos Drumond de Andrade na Mangueira, a Tupinicópolis delirante da Mocidade, O ti-ti-ti do sapoti na Estácio me explicava de onde vinha o Tutti-Fruti! Que mágico! Adelaide era a pomba da paz da Portela e um lirismo único em samba-enredo banhava as Raízes da Vila Isabel em sua história indígena.
http://www.pelourinho.com/carnaval/2001/GrandeRio/images/Foto11_jpg.jpg
Não, ainda me faltava muita base de conhecimento para entender aquilo tudo mas, já era uma marca definitiva em minha história que se acumula até agora. Muitos carnavais se passaram em frente a TV. Em 1996 ganhei meu primeiro computador e abri as portas da folia para recordações, sentimentos e mais informação. Me faltava ainda aquele momento de ver tudo ao vivo mas faltava igualmente o dinheiro para tal empreitada. Fiz contatos e criei vínculos com pessoas importantissimas no Rio, No Ceará e no Brasil todo.

Me formei, comecei a trabalhar num banco, mudei pra Sampa, passei muito perrengue mas, no carnaval do ano 2000 fui lá no Anhembi ver os desfiles paulistas. Não foi a mesma coisa. Estava eu acostumado, familiarizado com jeito de desfilar carioca e sua opulência visual, praticamente um cortejo barroco (e é). No ano seguinte, depois de uma ajudinha de uma mãe pra toda vida, lá fui eu com minha prima para o Rio. Aeroporto Congonhas -> Santos Dumont, Rio visto do alto. Coração palpitando primeira viagem dita assim, importante! Hotel Glória, estou aqui e também o concurso de fantasias. Fechei o primeiro ciclo! No dia seguinte tudo começava num turbilhão de muitas emoções....

Continua.... acima....

Marcelo Poloni.
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